sábado, 27 de fevereiro de 2010

Santificação VIII

(Mansidão)

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”. Mateus 5.5

Ao contrário do que muitos pensam ser manso não é sinônimo de bobo, frouxo, aquele que aceita tudo, aquele que fazem o que querem, não é uma característica fraca, mas é uma grande virtude que poucos possuem. A mansidão não é uma qualidade natural, porque se fosse não teria sido destacado pelo apóstolo Paulo como fruto do Espírito Santo, se é fruto, então é necessário a ação do Espírito Santo para frutificar em nós cristãos. Precisa de cultivo espiritual.

A palavra prautes é traduzida normalmente por “mansidão”, “humildade”, “amabilidade”. Prautes deriva da palavra praus “gentil”, “meigo”, “humilde”, “bondoso”, “amável”. Mansidão transmite o sentido de brandura, que é visto como a disposição de submeter-se a vontade de Deus. É uma atitude humilde que se expressa na submissão às ofensas, livre do desejo de vingança. Mansidão é o antônimo de Ira na outra lista que trata das obras da carne (Gl 5.19-21). Este fruto me faz lembrar de Cristo: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma”. (Mateus 11.29).

Oswald Chambers, (pastor e professor escocês 1974-1917), observou certa vez que o chamado de Deus “visa a tornar-nos ‘pão partido’ e ‘vinho derramado’. Deus nunca poderá tornar-nos vinho se resistirmos ao seu toque quando ele vier nos esmagar.” Para Deus nos transformar, para ele espremer tudo que há em nós que precisa se mudado, é necessário humildade. Mas, ao passarmos por este processo doloroso (Deus coloca o dedo em nossas feridas), que faz parte do processo de santificação do cristão, aprendemos a olhar os outros ao nosso redor com a mansidão de Jesus.

Há uma frase que diz: “Para se defender o orgulhoso ataca”. O humilde e manso pondera os fatos, ele não agride, ele ama, não arde em Ira, ele age com brandura e bondade, ele vence o mal com o bem.
“Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. Romanos 12.20-21

Gosto dessa expressão “amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça” fazendo o bem a pessoa se perguntará: “Puxa, eu faço maldade, brigo, implico, acuso e ele me ama, mas faz o bem”. Agindo com mansidão as pessoas perceberão este fruto. Porque se depender de nós, pagamos o mal com mal, não gostamos de ser injustiçados e muitas vezes nos sentimos injustiçados sem a injustiça existir. Que possamos deixar que o Espírito Santo desenvolva em nossas vidas este Fruto, a Mansidão.

Oração:
“Pai amado, eu luto tanto com orgulho e com meus ‘direitos’ de querer pagar o mal com o mal, de querer me defender e me justificar. Perdoe-me. Peço-te que me ensines a ser manso e fazer a tua vontade, que as pessoas possam ver este fruto em minha vida para a honra e glória do Senhor. Em nome de Jesus. Amém”

No amor de Cristo,

Paulo Berberth

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Santificação VII

(Fidelidade)

“Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação; não sejam respondões, não furtem; pelo contrário, dêem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador”. Tito 2.9-10

O sétimo fruto mencionado pelo apóstolo Paulo é a Fidelidade. No âmbito de relacionamentos a fidelidade é muito facilmente aplicada, podendo ser abordada em pelo menos 2 aspectos: 1. Em relação a Deus; 2. Em aos homens. Claro que também não podemos deixar de destacar a fidelidade de DEUS com os homens. A fidelidade faz parte de sua essência. DEUS é FIEL (leia os versículos abaixo).

“O teu Amor, ó SENHOR, chega até aos céus e a tua fidelidade até às nuvens”. Salmo 36.5

“se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”. 2 Timóteo 2.13

“E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?”. Romanos 3.3

No dicionário em nossa língua a palavra fidelidade é a qualidade de quem é fiel. Aparece como sinônimo de lealdade e comprometimento. Fiel é aquele que guarda a fidelidade, é aquele que é leal, trata-se de uma pessoa de confiança.

A palavra usada em Gl 5.22 para fidelidade é  pistis que pode ser traduzida também por “fé”, “confiança” ou “compromisso”. O texto proposto acima (Tito 2.9-10) mostra uma boa aplicação deste fruto. Paulo aconselha como deveria ser o comportamento do servo em relação ao seu senhor (demonstrar obediência, submissão, fidelidade) mostrando que é digno de confiança. O propósito é para tornar atraente a doutrina de Deus, ou seja, o servo deveria viver os padrões da palavra de Deus, ser fiel ao evangelho de Cristo, ser fiel a Deus e à suas vontades.

Portanto, isso exige de nós fidelidade, confiabilidade, lealdade e comprometimento. Neste caso se referindo as pessoas, no entanto podemos pensar em vários níveis de relacionamento, seja entre patrões e empregados, ou entre amigos, familiares, marido e mulher, namorados, etc. Assim como também confirma que devemos ser fiéis a DEUS em todas as áreas de nossas vidas. Que possamos fazer como o salmista proclamar, vivenciar e principalmente refletir a fidelidade de Deus.
“Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade”. Salmo 89.1

Oração:
“Senhor, obrigado primeiramente por ser fiel a nós, mesmo quando somos infiéis a Ti. Peço-te que nos ajude a desenvolver em nossas vidas a tua fidelidade. Em nome de Jesus Cristo Amém.”

No amor de Cristo,

Paulo Berberth

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Santificação VI

(Benignidade e Bondade)

“Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou generoso?” Mateus 20.13-15

Os próximos frutos do Espírito Santo são Benignidade e a Bondade. Destacarei os dois frutos juntos, pois no português as duas palavras se confundem, até mesmo são usadas como sinônimos. No entanto, o apóstolo Paulo não descreveria os frutos do Espírito Santo repetindo um mesmo fruto. Observando o texto, percebo que suas palavras na verdade se completam, ou seja, no contexto Benignidade e Bondade se completam e não possuem o mesmo sentido, embora sejam parecidos. Vamos então estudar o significado e como o cristão deve deixar tais frutos se desenvolverem em suas vidas.

Benignidade a palavra utilizada por Paulo é chrestótes. A Bíblia NTLH traduziu como “delicadeza”. E a NVI como “amabilidade”. Eu particularmente não gostei muito, não que esteja errado, mas neste sentido – Refere-se a uma disposição gentil e bondosa para com os outros, aí se confundiria com bondade. Como dizia um professor meu do Seminário, o Pr Natanael: “É isso, mas não somente isso, é mais que isso”. Explicarei.

Chrestótes vem da palavra chrestós que significa útil, digno, bom. Aquele que é moralmente bom, respeitável. A palavra Chrestótes também pode ser traduzida por “retidão”. Assim tem o sentido exato do que significa – “Aquele que faz o que é certo, correto, justo e reto, aquele que age com retidão”. Como na parábola dos trabalhadores (Mateus 20.1-16).

Um proprietário saiu de madrugada para contratar os trabalhadores para a sua vinha. Ele combinou com os trabalhadores o salário de um denário por dia (Um denário era o pagamento por um dia de trabalho braçal). E ele fez isso 4 vezes durante o dia e todos os trabalhadores receberam um denário. Quando os primeiros vieram pensaram que receberiam mais, por terem trabalhado o dia inteiro e queixaram-se ao proprietário dizendo que os últimos trabalharam menos que eles. E o proprietário respondeu: “não te faço injustiça, não combinamos 1 denário?”. O proprietário agiu com retidão, ele foi justo, pois cumpriu o que havia combinado. Se olhássemos para este proprietário poderíamos dizer que ele é um homem benigno, que tem uma boa moral, é um homem reto e não trapaceiro. Assim temos que agir.


Bondade o dicionário da língua português diz que é a qualidade do que é bom; benevolência; inclinação para o bem. A palavra utilizada pelo apóstolo Paulo é agathosyne deriva da palavra agathós e significa bom, benefício, generosidade. Aquele que é benevolente, benfeitor, justo, generoso. Seus atos beneficiam os outros e não a si mesmo.

Nesta mesma parábola o proprietário faz uma pergunta no v. 15 “Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou generoso?” É a mesma palavra agathós, “generoso”.

A meu ver, aprendemos que nesta parábola o proprietário demonstrou os dois frutos que nós devemos demonstrar. Ele foi Benigno, foi reto e justo com todos de acordo com o que combinou. E foi Bondoso para os que trabalharam menos, pois mesmo tendo trabalhado menos ele desejou pagá-los como se tivessem trabalhado o dia todo, ele pensou no benefício dos trabalhadores. Afinal de contas eles passaram o dia todo esperando por trabalho. Lindo isso! Eis a nossa missão...

Oração.
“Senhor nos ajude a desenvolver a Benignidade e a Bondade em nossas vidas, que nosso caráter reflita estes dois frutos. Em nome de Jesus Cristo. Amém”

No amor de Cristo,

Paulo Berberth

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Santificação V

(Pacientes e Longânimes)

“Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão”. Romanos 9.22-23

Chegamos ao 4º fruto do Espírito Santo, algumas versões bíblicas traduziram como "Paciência", outras como "Longanimidade". Duas palavras de conceitos parecidos e ao mesmo tempo, que podem ter vários focos. A meu ver possuem distinções especificas que vale a pena compreendermos. No Novo Testamento a palavra utilizada é makrothymia que pode ser traduzida também como “perseverança” e “firmeza”, além de paciência e longanimidade. A palavra makrothymia é a junção de duas palavras grega:

Makrós – longo, longe, distante.

Thymós – ira, raiva, furor.

De uma forma bem simples poderíamos dizer que makrothymia significa:
“Ser longo para se irar” ou “demorar para se irar”.

Na parábola de Mateus 18.23-35 (conhecida como “a parábola do credor sem compaixão”), mostra-se que a paciência humana tem relacionamento com a paciência divina – e dela o homem depende. A expressão usada nos vv 26 e 29 é a mesma: “Senhor, tem paciência comigo, que te pagarei tudo”. A diferença é que o Senhor foi compassivo (vv27-28), mas o credor não (vv29-30). Jesus está falando desde o v. 15 sobre reconciliação, perdão e compaixão ao próximo. É a mesma palavra utilizada para descrever o Amor em 1Co 13.4 “O amor é paciente...”. Neste sentido (em relação ao próximo) este fruto se concretiza através da compaixão, ou seja, tardando para se irar com o próximo. Assim aplica-se também noutras situações do nosso dia à dia.

Ao contrário do que muitos dizem, paciência não é dom. Paciência ou longanimidade são Frutos do Espírito Santo. No português costumamos utilizar com mais freqüência a palavra paciência do que longanimidade. Creio que longanimidade seja utilizada mais no contexto eclesiástico por causa da cósmovisão cristã. Contudo, gosto de entender as duas palavras das seguintes formas.

Paciência é algo momentâneo, ou algo que acontece numa situação especifica e lá deve estar ela (melhor dizendo, deve ser praticada). Exemplo: O cristão deve ter perseverança na continuação de um trabalho, gostando ou não, sendo ele chato ou não, sendo difícil ou não, não importa. O cristão deve agir com firmeza para não chegar à desistência, não deve irar-se, nem irritar-se com a situação, não deve perder o controle. Por isso que normalmente dizemos “perdi a paciência”, neste caso o que houve na verdade é que a ira surgiu e paciência não existiu.

Longanimidade já é algo que acontecerá em longo prazo e até lá (deste ponto de vista), é necessário saber esperar o kairós de Deus, O tempo certo de Deus. Neste percurso de espera a postura deve ser de magnitude, grandeza diante de situações difíceis. Um exemplo disso seria a pessoa que está aguardando uma definição em sua vida como no caso da área profissional, sentimental ou até mesmo em casos de doenças. Este processo terá um fim, independente do resultado dele, todavia até a conclusão do que se espera é necessário ser esperar. Como no salmo 40.1 “Esperei confiantemente pelo SENHOR; Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”.

Que possamos deixar DEUS através do Espírito Santo desenvolver em nossas vidas os frutos: Paciência e Longanimidade. E que principalmente lembremo-nos que DEUS agiu com paciência e longanimidade conosco, por isso, fomos reconciliados.

No amor de Cristo,


Paulo Berberth