sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sofrer: Por pouco tempo


6 Nisso exultais, embora, no presente, por pouco tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações,  7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”. (1Pedro1.6-7)

O texto inicia com a expressão: Nisso exultais...”. Mas se exultar em que? Em quem? Nos versículos anteriores temos a resposta: 1) Se exultar... numa Viva Esperança, v.3; 2) Se exultar... numa Herança que não Perece, v4; 3) Se exultar na Salvação preparada por Cristo nos Céus por mediante a fé, v5.  

Estes são motivos suficientes para nos alegrarmos, mesmo que no presente venhamos passar por aflições, existe uma finalidade: Para que a nossa fé seja provada, para que a nossa vida lapidada como um diamante e assim, promova em nós o crescimento espiritual que Cristo deseja. Vamos analisar um pouco o contexto deste texto e então o entenderemos melhor.

Destinada “... aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia[1] (1.1), a primeira epístola de Pedro faz brilhar um raio de esperança nas trevas daqueles que sofriam aflições e perseguições. Ser um paroikos (Palavra utilizada para “peregrinos”, “forasteiros”, “estrangeiros”), era uma desvantagem óbvia, em relação às classes superiores que desfrutavam de plenos direitos. Os paroikos tinham direitos sociais restritos em vários aspectos, como casamento com pessoas de outras classes, comércio com qualquer um, participação e voto nas assembléias públicas, nos direitos de propriedade etc. Eram perseguidos e considerados inferiores aos cidadãos, sendo-lhes impostas restrições às vezes bastante penosas.

A ênfase mais importante no pensamento de Pedro a respeito de Deus é a da providência divina no sofrimento humano. Os sofrimentos a que Pedro se refere não são as aflições físicas, os males naturais ou acidentes, ou o tipo de tragédia comum que cerca todos os homens. São sofrimentos que os homens são chamados a suportar, por serem cristãos.

As provações, que são chamados a suportar (1.6), são falsas acusações, como se fossem malfeitores (1.12), que podem ser tão fortes a serem chamadas de “ardente prova” (4.12). Podem sofrer simplesmente por serem cristãos (4.16). Contudo, isto não deve ser considerado algo estranho (4.12), mas é a experiência normal dos cristãos em uma sociedade perversa (5.9). Embora tais provações possam ser atribuídas a Satanás (5.8), Pedro enfatiza que essas acontecem segundo a vontade de Deus. “Porque melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer) do que fazendo o mal” (3.17). Deus é o justo juiz tanto do mundo como de seu povo. Portanto, aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus devem persistir fazendo o bem e confiar suas vidas ao fiel Criador (4.19).

Além disso, em tais sofrimentos, os cristãos não estão fazendo nada mais do que seguir o exemplo de Cristo, participando dos seus sofrimentos (4.13). Isso é de fato um elemento essencial na vida cristã. “Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas” (2.21). Nessa concepção, Pedro enfatiza a mansidão de Cristo que: “quando o injuriavam, não injuriava... mas entregava-se àquele que julga justamente” (2.23).

Sofrer sob a mão de Deus tem um efeito salutar; prova a validade e a realidade da fé cristã. Isso demonstra que a fé do cristão é genuína, mesmo que seja provada pelo fogo; e isso também é motivo de júbilo (1.6-7). Sofrer, de algum modo, tem uma influência santificadora. “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (5.10). 

O sofrimento ajuda os cristãos a ficarem mais fortes. Jó era um homem devoto, mas pela aflição ele "cresceu" e se tornou um servo de Deus ainda mais forte e humilde. Nós passamos por provações, a nossa fé é constantemente provada é como o ouro que é purificado ao passar pelo fogo, assim também um cristão é purificado e fortalecido quando passa pela aflição:“para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1.7).

Muitas vezes a sua dor, ou melhor, a sua fé diante da dor e diante das situações difíceis da vida, faz com que as pessoas ao redor sejam edificadas através da sua, é um forte testemunho. Bênçãos para você e para outros. Por isso, o que sai da fornalha é melhor do que o que nela entrou.

Sem falar que estamos aqui de passagem, estamos no mundo, mas não somos do mundo e nossa Pátria não é daqui, somos peregrinos e um dia estaremos diante do Deus Todo Poderoso. Por isso, por pouco um tempo podemos sofrer, todavia podemos exultar a Deus pela salvação e pelas valiosas lições que aprendemos através dos sofrimentos, e podemos ter a certeza que sairemos das provas ainda melhores. Você crê nisso?

No amor de Cristo,

Paulo Berberth


[1] Trata-se de cinco províncias do império Romano, situadas de norte a sul, de leste a oeste da Ásia Menor, no mesmo sentido das agulhas do relógio, que cobrem um total de 175 mil quilômetros quadrados. Ficam excluídas as províncias da Lícia, Panfília e Cilícia, que se encontram ao sul da Anatólia, entre o mar Mediterrâneo e a cadeia montanhosa de Taurus que fecha o planalto central da península. Não é por acaso que o autor da carta fala aos seus cristãos como eleitos de Deus que vivem na diáspora ou dispersão (1,1.17; 2,11).

2 comentários:

  1. Paulinho voce é um gato, te amo

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  2. Eu creio nisso piamente meu amado,que não somos desse mundo estamos mesmo aqui de passagem como sempre leio seu blog , sinto ânimo , sinto me renovada pelo Espirito Santo tu és muito usado Paulo . Eu te amo demais S2

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No Amor de Cristo,
Pr Paulo Berberth