quarta-feira, 27 de abril de 2011

Lavo minhas mãos


“Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!” (Mateus 27.24)


Há um ditado que diz que “a voz do povo é a voz de Deus”. Será?  Acho interessante a forma que as coisas aconteceram, percebo certa ambigüidade nesta afirmação (tem 2 lados a moeda). Pois por um lado o povo foi injusto dizendo: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Mas por outro, percebemos um plano maior, o de DEUS dentro do seu Maravilhoso propósito de salvação da humanidade, ou seja, as profecias haveriam de se cumprir, a crucificação deveria acontecer exatamente para se cumprir o plano de Salvação de Deus ao mundo para todos aqueles que Nele cressem. Vamos analisar a postura de Pilatos e aplicarmos em nossas vidas, o que podemos aprender?

Ele poderia soltar Jesus se quisesse? Sim! Teve oportunidade para isso, inclusive percebemos que ele concluiu que Jesus era de fato inocente, no entanto lavou suas mãos, “tirou o corpo fora”, transferiu a responsabilidade para o Povo dizendo “... estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!”.

Pilatos ficou em cima do muro, não quis se comprometer com a responsabilidade de ser o culpado pela crucificação de um homem justo e também temia o povo, pois “aumentava o tumulto”. Ele foi indiferente. Ouvi certa vez que o oposto do amor não é o ódio, é a indiferença, talvez seja também o oposto da decisão. Aplicando isso sobre as nossas vidas, podemos pensar: Em quais situações somos indiferentes?

Quando vemos a necessidade de alguém e não ajudamos? Porque o problema não é nosso, é das autoridades, dos políticos, dos assistentes sociais. Será que isso não teria outro nome? Hipocrisia talvez, quem sabe falta de amor ao próximo? Ou até mesmo falsidade, indiferença. Pois a Bíblia ensina o contrário dessa atitude medíocre e egoísta. Ela diz que: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tiago 4.17).  


E quando sabemos que temos que agir com imparcialidade, justiça e verdade? Muitas vezes não nos “intrometemos” no assunto, tiramos o corpo fora como Pilatos fez e ainda dizemos: “ninguém pediu a minha opinião”. Porque se dissermos algo vou me prejudicar ou conquistar inimizades. Conquistar inimizades por falar o que é correto? Que assim seja! Prefiro agradar a Deus do que agradar homens.

A Bíblia ensina que não devemos ser partidaristas e sim agir com verdade, justiça e transparência. Viver a Ética Cristã está fora de moda! Porque vivemos num mundo de politicagem, onde a filosofia de vida é: O que vou ganhar com isso? É o famoso politicamente correto. Será que é assim mesmo que devemos agir? Onde está o louvor, a glória de fingir pensar algo que não pensamos, para agradar a quem nós não gostamos?

Será que agimos assim exatamente porque pensamos viver num mundo “justo”? Onde a pessoa recebe o que merece e merece o que recebe. Ou seja, se pessoa está na rua, alguma coisa de errado fez. Se ela ganhou algum dinheiro, ela mereceu porque é uma pessoa boa. Dizem por ai “cada um tem o que merece”. Este é o padrão correto? E a Graça? Onde ela se encaixa nisso? E a história daquele que está na rua, alguém conhece para julgar desta maneira? Será que é mesmo apenas um vagabundo? E o que ganha, será que ganhou honestamente?

Não me canso de afirmar que a nossa sociedade vive o passageiro como se fosse eterno e isto chegou dentro de nossas igrejas. Os valores se inverteram em demasia. O mundo de justo, não tem nada.

Vamos refletir acerca destes questionamentos e que “lavar as mãos” seja uma expressão fora do nosso dicionário. Vivamos o Evangelho segundo Cristo ensinou. Vivamos em verdade, justiça e assumamos as nossas responsabilidades como cristãos. Que o nosso falar, pensar e nossas ações sejam reflexos tão somente da Vontade de Deus.

No amor de Cristo,

Paulo Berberth

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